Palavras escritas; erotismo e sensualidade, imagens da vida; sonhos e realizações. Um mundo em movimento...
Terça-feira, 11 de Julho de 2006
Parte II - Cap III - Camilo e Ritinha...
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Camilo e Ritinha, foram os patrões que acolheram João de seguida.


Senhores socialmente muito educados e respeitados na rua e no bairro, frequentadores habituais da sacristia, das rezas e das novenas, com particular empenho nas missas do domingo, onde a Ritinha tocava órgão e dirigia o coro da igreja de Paranhos.

Mas cedo se desnudou este mundo tão cão e hipócrita, onde as graças a Deus são muitas, mas as obras nobres muito poucas. Onde os salmos à Virgem Santa, cantados em voz alta, substituem as graças à dignidade, ao trabalho e ao pão, a que todos têm o direito, mas nem sempre o acesso...



Com quase dezasseis anos feitos, João partilhava o quarto, a comida e o trabalho com três outros rapazes mais novos ainda. E o mais provável é que assim deveria continuar, até que dentro de pouco tempo a idade da tropa lhe batesse à porta, permitindo-lhe estudar à noite, e até quem sabe, aprender a tocar acordeão, instrumento que desde mocito o encantava.

Mas sem horário que se cumprisse e muito menos respeitasse, nem trabalho que acabasse, com a liberdade e o descanso semanal limitado aos domingos entre as quinze e as dezanove horas, o tempo livre era curto demais.

Cedo João acordou do sonho acalentado e das promessas feitas.

É que, alimentados à força do macarronete guisado com chouriço, e da batata cozida; com pataniscas meramente baptizadas de bacalhau com salsa; sem calorias nem vitaminas suficientes para uma alimentação minimamente equilibrada, refeição deficiente em quantidade e qualidade, era muito pouco para quem crescia a olhos vistos, e trabalhava catorze horas por dia.

As refeições, que era servidas em pequenas marmitas de alumínio – como se de trolhas ou mineiros se tratasse -, eram tão ligeiras e reduzidas, que duas horas passadas, a barriga roncava em jeito de justificada reclamação.

Foi pois mais maduro – fruto das cambalhotas da vida, e já com uns pêlos a crescer no sítio que mais tarde viria a ser o do bigode -, que um dia, arregimentando consigo os outros dois colegas, João se revoltou...

No dia combinado, cumprindo à risca o plano traçado, nenhum deles saiu para as voltas da rua, nem as portas das lojas se abriram aos fregueses.

Discussão acalorada e repetida várias vezes, e mais ameaças não concretizadas, ao fim de quatro horas, com muitos berros e murros descarregados na escrivaninha do patrão pelo meio, a primeira vitória era conseguida: as marmitas iriam crescer mais um pouco, e a comida variar mais!...



publicado por Pedro às 17:15
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